Multinacionais disputam criadores de aplicativos
A situação vivida pela i2 Tecnologia é semelhante à de milhares de empresas de software no país
Cibelle Bouças
A i2 Tecnologia, uma pequena empresa de software com sede em Recife, foi procurada na semana passada por três operadoras de telefonia móvel que operam no Brasil e uma na Argentina. Todas têm a mesma meta: incluir a empresa em suas redes de desenvolvedores para criar aplicativos para smartphones. A i2 Tecnologia começou a produzir aplicativos para celulares há cinco anos, tendo como parceiro a Nokia. Há um ano e meio, passou a fazer aplicativos para os sistemas operacionais da Nokia, Research In Motion (RIM, dona da marca BlackBerry), Apple (MacOS), Google (Android) e Microsoft (Windows Phone). “As encomendas aumentaram 150% no primeiro semestre. O mercado está bastante aquecido”, afirma o sócio-fundador Felipe Andrade.
A situação vivida pela i2 Tecnologia é semelhante à de milhares de empresas de software no país. Multinacionais como Nokia e Microsoft buscam reforçar suas redes de parceiros para ampliar a oferta de aplicativos e, com isso, atrair mais consumidores de smartphones. A Apple foi a primeira a lançar um aparelho celular com mais de 225 mil aplicativos, disponíveis na lojas virtual App Store. Para garantir essa oferta, a empresa conta com uma rede de 125 mil desenvolvedores em 77 países, sendo 4,8 mil no Brasil.
“A grande mudança que a loja virtual proporcionou foi dar autoria aos desenvolvedores de software”, afirma Galileu Vieira, gerente de marketing para o programa de desenvolvedores da Microsoft. O executivo observa que as multinacionais faziam parcerias com desenvolvedores, mas as aplicações eram embarcadas no sistema operacional, dando pouco destaque ao autor do aplicativo. “Havia menos aplicações de função mais regional. A venda das lojas permitiu diversificar a oferta de programas”, afirma Vieira.
A Microsoft formou no Brasil uma rede de desenvolvedores com 1,5 mil empresas e 250 mil estudantes, com foco em aplicações para o sistema operacional Windows Phone. A companhia oferece ferramentas gratuitas aos estudantes e cobra das empresas uma taxa anual de US$ 99. A Apple cobra anuidade de US$ 99 de todos os programadores.
A Blink Systems, uma empresa de software sediada em Marília (SP), está entre esses parceiros. A Blink dedica-se a criar aplicativos para celulares usados nas empresas. Segundo Marcos Amorim, diretor executivo da companhia, a previsão é de que a Blink vá dobrar o faturamento este ano, para R$ 4 milhões, por conta da demanda por novas aplicações. “Hoje, o Windows Phone é o sistema mais usado nos celulares corporativos, mas a disputa ficará mais acirrada com o lançamento dos novos sistemas Android, MacOS e Windows Phone”, afirma.
O levantamento mais recente do Gartner Research indica que no primeiro trimestre o Symbian (sistema da Nokia) estava em 51,4% dos smartphones vendidos no país, ante 42,1% no mesmo intervalo de 2009. O MacOS representava 6,8% do total (ante 10% no ano anterior) e o Windows Phone respondia por 6,3% do total (ante 2,7% em 2009). A Research In Motion (RIM), que também tem loja de aplicativos no Brasil, registrou participação de 34% neste ano e de 35,8% no ano passado.
Líder de mercado, a Nokia decidiu não contar apenas com os desenvolvedores externos e determinou que o Instituto Nokia de Tecnologia, fundado em 2003 no país, redirecionasse toda a produção de aplicativos para o mercado doméstico. Até 2009, a empresa produzia no Brasil aplicações destinadas ao mercado global, diz Angelo Nicolay, gerente de serviços de internet do instituto Nokia. “Como não havia loja Ovi no Brasil até 2009, a produção era voltada ao exterior. Mas com a tendência de explosão do mercado de smartphones, a empresa optou por se concentrar no mercado brasileiro”, afirma Nicolay. No primeiro semestre, o instituto lançou sete aplicativos no país.
Engana-se quem pensa que redes de programadores são exclusividade das multinacionais. A MGI Informática, de Suzano (SP), distribui no país aparelhos celulares da Hewlett-Packard (HP), HTC e Intermec . Neste ano, a MGI formou uma rede com 36 companhias de software que fazem aplicativos para esses dispositivos. A ideia é vender os aparelhos com programas pré-instalados, explica Roberto Lechuga, gerente de marketing da companhia.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), Gerson Schmidt, o mercado passa por uma fase de consolidação, que começa com as redes de parceiros e costuma desembocar em fusões e aquisições. Ele estima que o mercado crescerá 20% em vendas no ano e o segmento de aplicações para celulares, acima de 25%.
Fonte: SEBRAE
Data: 12/07/2010